quinta-feira, 5 de junho de 2008

Memorial do Convento

*Romance histórico, social e de espaço que articula o plano da história com o plano do fantástico e da ficção.

*O título sugere memórias de um passado delimitado pela construção do convento de Mafra e memórias do que de grandioso e trágico tem o símbolo do país.

Intriga: Blimunda imprime à acção uma dinâmica com espiritualidade, ternura e amor.

Contextualização: D.João V é aclamado rei em 1707, durante a Guerra da Sucessão de Espanha. A obra passa-se no Reinado de D. João V, séc. XVIII, época de luxo e grandeza, D. João V é influenciado pelos diplomatas, intelectuais e estrangeirados. Constrói o convento em Mafra por querer ultrapassar a grandeza do escorial de Madrir e para celebrar o nascimento do seu filho. A Inquisição ocupa-se com a ordem religiosa e moral e as suas vítimas são: cristãos-novos, judeus, hereges, feiticeiros, intelectuais.

Memorial do Convento: narrativa histórica (30 anos da história portuguesa) entrelaçando acontecimentos e personagens verídicos com seres fictícios.

ROMANCE HISTÓRICO: oferece-nos uma minuciosa descrição da sociedade portuguesa da época, a sumptuosidade da corte, a exploração dos operários, referências à Guerra da Sucessão, autos-de-fé, construção do convento, construção da passarola pelo Padre Bartolomeu de Gusmão.

ROMANCE SOCIAL:é crónica de costumes.

*Saramago propõe um repensar da história portuguesa, através da ficção e com a sua palavra reveladora.

SITUAÇÕES RELEVANTES NA ACÇÃO: construção do convento de Mafra e relação entre Baltasar e Blimunda.

ACÇÃO PRINCIPAL: Construção do convento de Mafra: reinvenção da história pela ficção; entrelaçamento de dados históricos com a promessa de D. João V e o sofrimento do povo que trabalhou no convento; situação económica do País; autos-de-fé; construção da passarola.

ESPAÇOS PRIVILEGIADOS: Lisboa; Terreiro do Paço, S. Sebastião da Pedreira, Rossio; Mafra; Pêro Pinheiro, Vela, Torres Vedras, Monte Junto.

Lisboa: cidade que contém em si ricos e pobres
Alentejo: permite conhecer a miséria que o povo passava
Mafra: deu trabalho a muita gente, mas socialmente, destruiu famílias e criou marginalização

TEMPO: as referências temporais são escassas, ou apresentam-se por dedução. As analepses são pouco significativas. A data de 1711, tempo cronológico do início da acção, não surge explícita na obra, mas facilmente se deduz.

NARRAÇÃO:
Saramago rejeita a omnipotência do narrador, voz crítica. A voz narrativa controla a acção, as motivações e pensamentos das personagens, mas faz também as suas reflexões e juízos de valor. Os discursos facilmente passam da história à ficção. (Segundo Sartre, estamos perante um narrador privilegiado, com poder de ubiquidade (está dentro da consciência de cada personagem, mas também sabe o antes e o depois).

CARGA SIMBÓLICA: sugere as memórias evocativas do passado e remete para o mítico e misterioso

SIGNIFICADO DO TÍTULO DA OBRA: “MEMORIAL” (memórias de uma época – construção do convento, inquisição, passarola, etc)
“do CONVENTO” (construção do convento de Mafra)


PERSONAGENS:


D. João V
– Rei de Portugal, rico e poderoso, preocupado com a falta de descendentes, promete levantar convento em Mafra se tiver filhos da rainha

Baltasar Sete-Sóis – maneta, chega a Lisboa como pedinte, conhece Blimunda, ajuda na construção da passarola, morre num auto-de-fé

Blimunda Sete-Luas – capacidades de vidente, vê entranhas e vontades, ajuda na construção da passarola, partilha a sua vida com Baltasar, o seu poder permite curar ou criar. Saramago consegue dotá-la de forças latentes e extraordinárias, que permitem ao povo a sobrevivência, mesmo quando as forças da repressão atingem requintes de sadismo.

Padre Bartolomeu de Gusmão – evita a Inquisição devido à amizade com o Rei, apoiado por Baltasar, Blimunda e Scarlatti, morre em Toledo.

O Povo – construiu o convento em Mafra, à custa de muitos sacrifícios e até mesmo algumas mortes. Definido pelo seu trabalho e miséria física e moral, surge como o verdadeiro obreiro da realização do sonho de D. João V.

CRÍTICA: ironia e sarcasmo à opulência do rei e alguns nobres, ao adultério e corrupção, à Inquisição.

cátia Medeiros

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